A lição #1 da gestão e as Julianas

#026 25 A lição #1 e as Julianas final

Assistimos na última semana a dois episódios emblemáticos e lamentáveis que retratam em sua essência a falta de fazer a lição de casa mais comezinha de qualquer projeto: o planejamento deve preceder a ação.

Muitas pessoas classificaram os eventos que resultaram na morte das duas Julianas como tragédia. O professor Cortella já nos ensinou um dia que “tragédia é tudo aquilo que a vida humana não pode evitar: um terremoto, tsunami, erupção vulcânica etc”. Não creio que seja o caso.

Para não ficar falando de terceiros, relato a minha experiência na primeira vez em que eu fui a Cancún. Os mergulhos no tanque de Chankanaab em Cozumel são inevitáveis, uma vez que o turista fica inebriado com a beleza natural dos bancos de corais e a transparência das águas caribenhas. Em poucos minutos de treinamento, qualquer turista se torna em exímio e experiente mergulhador; desconsiderando todo e qualquer risco inerente a essa atividade esportiva. Atitude absolutamente irresponsável de minha parte, confesso, percebida principalmente depois de ter feito cursos aprofundados e de longa duração (mergulho autônomo e assistido com cilindro) aqui no Brasil e tomado conhecimento dos possíveis eventos adversos que podem resultar de um mergulho improvisado.

Traçando um paralelo com o mundo corporativo, levantamento feito pelo SEBRAE indica que as três principais causa mortis das empresas no Brasil – especialmente as micro e pequenas empresas – durante os primeiros anos de vida são: falta de planejamento, desconhecimento em gestão empresarial e comportamento do empreendedor. Vou me fixar na primeira causa.

Planejamento é muito mais do que estabelecer objetivos, definir metas ou antecipar uma situação futura. Por desconhecimento ou negligência das pessoas, talvez uma das etapas mais desconsideradas no planejamento é a análise dos ambientes nos quais ou com os quais o projeto vai interagir. Aqui me refiro aos dois ambientes: o externo e o interno.

Mais do que analisar os ambientes, é importante frisar que do cruzamento dos dois ambientes emergem as estratégias que vão se desdobrar nas ações necessárias para que o projeto se desenvolva a contento, sem ou com o mínimo de intercorrências e chegue a um bom termo.

No ambiente interno vamos encontrar os atributos próprios da pessoa ou da empresa, se estivermos nos referindo ao mundo corporativo. Até que ponto esse agente social está preparado para enfrentar o que vai encontrar naquilo que se propõe a fazer? Seus pontos fortes são suficientes para os desafios do mundo real quando o projeto sair do papel. Aqui se alinham recursos físicos, financeiros, psicológicos, tecnológicos, legais etc. Há algum aspecto sobre o qual paira alguma incerteza e, como tal, deve ser reforçado? Na dúvida, há meios de mitigar o risco, contratando um seguro, por exemplo.

No ambiente externo nos defrontamos com as variáveis incontroláveis que poderão representar oportunidades mas, também, ameaças de toda sorte: clima, situação econômica, política e social vigente, traços culturais locais muito diversos dos seus e por aí afora.

Considerando que os dois eventos com as jovens Julianas envolviam alto risco uma vez que se trata de esportes radicais, você acha que passariam pelo crivo da análise dos ambientes?

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