Idade não é fim de carreira.

Idade não e fim de carreria

O etarismo como um conceito cada vez mais obsoleto

Durante muito tempo, especialmente no futebol, consolidou-se a ideia de que entre os 28 e 30 anos o atleta já estaria em declínio e próximo de “pendurar as chuteiras”. Esse raciocínio, repetido quase como um dogma, começa a ruir diante da realidade contemporânea. Em tempos de avanços tecnológicos, científicos e de transformação do próprio conceito de carreira, toda afirmação categórica sobre limites etários se torna perigosa.

Nesta semana, o Fluminense ofereceu um poderoso contraexemplo ao renovar o contrato do goleiro Fábio até o final de 2027, quando ele terá 47 anos. Cristiano Ronaldo, por sua vez, deve defender Portugal na Copa do Mundo de 2026 aos 41. São casos emblemáticos que mostram que desempenho, preparo, disciplina e mentalidade pesam hoje muito mais do que a idade cronológica.

Esse debate extrapola o esporte. Em diversas áreas do conhecimento — da medicina à engenharia, da gestão à tecnologia — profissionais experientes seguem entregando resultados de alto nível. Na docência, isso é ainda mais evidente. Professores acumulam algo que nenhuma formação acelerada substitui: repertório humano, leitura de contexto, visão crítica e capacidade de síntese.

Permito-me aqui um relato pessoal. Ao longo da vida, precisei adiar sonhos. Interrompi um mestrado na USP em função do nascimento do meu segundo filho, uma decisão guiada por prioridades familiares. Anos depois, aos 64 anos, realizei dois grandes sonhos: cursar o ITA e retomar o caminho acadêmico do mestrado. Mais recentemente, na iminência de completar 77 anos, concluí minha terceira graduação, desta vez em Ciências Contábeis.

A idade, no entanto, não representa apenas continuidade acadêmica. Ela pode significar a maturidade necessária para iniciar um novo negócio ou uma nova fase profissional. Ao me aposentar, pude aproveitar a experiência acumulada ao longo de quase 50 anos de atuação para me dedicar à mentoria e consultoria de empreendedores em início de carreira ou em momentos de pivotamento pessoal e profissional. Experiência, escuta qualificada e visão sistêmica tornam-se, nesse contexto, diferenciais estratégicos.

O etarismo nasce de uma lógica simplificadora que associa idade à obsolescência. O mundo contemporâneo exige exatamente o oposto: aprendizado contínuo, integração entre gerações e valorização da experiência aliada à atualização constante.

Talvez o verdadeiro atraso não esteja na idade, mas nas ideias que insistem em envelhecer.

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