O subtexto do gerúndio

#048 25 O subtexto do gerundio II

Na dramaturgia de um modo geral, subtexto é a mensagem implícita por trás das falas, o que o personagem realmente pensa ou sente, mas não diz explicitamente. É a expressão não verbal que os atores revelam através de ações, tom de voz, linguagem corporal e pausas, tornando a interpretação mais rica e complexa. Em essência, é tudo aquilo que está “nas entrelinhas” do texto escrito.

No mundo corporativo, cada palavra conta — e algumas podem revelar mais do que imaginamos. 

O uso indiscriminado do gerúndio tem se tornado um vício de linguagem que, embora pareça inofensivo, afeta diretamente a clareza, o foco e a responsabilidade dentro das organizações.

Quando alguém diz “as vendas estão melhorando”, “o prejuízo está diminuindo” ou “estamos contratando”, a sensação transmitida é de movimento… mas não de direção. 

O gerúndio se apoia no processo contínuo, um estado permanente de transição. Ele sugere que algo está acontecendo, mas não diz quando termina, onde se quer chegar ou qual é o resultado esperado. E, no ambiente empresarial, isso pode ser um problema.

Líderes e equipes precisam de metas claras, prazos definidos e indicadores concretos:

  • Ficar “melhorando” não é o mesmo que afirmar “melhoraremos 12% até dezembro”.
  • “Estamos contratando” não substitui “contrataremos oito analistas até o final do trimestre”. 

Quando o discurso não estabelece um ponto de chegada, cria-se um campo nebuloso que abre espaço para insegurança, falta de prioridade e dispersão.

A linguagem molda a cultura. Empresas que comunicam no gerúndio tendem a viver em planejamento eterno, enquanto organizações que falam no futuro — de maneira objetiva, assertiva e mensurável — constroem compromisso, estimulam responsabilidade e geram confiança. O futuro mobiliza; o gerúndio, não.

Falar no futuro é dizer com clareza onde queremos estar e quando. É assumir publicamente um compromisso. É transformar intenção em direção.

Por isso, talvez esteja na hora de substituirmos o “estamos fazendo” por “faremos até tal data”. Menos gerúndio. Mais futuro. Mais foco. Mais resultado.

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