Apesar de eu ser palmeirense desde que nasci — e, convenhamos, não é raro uma criança mudar de time influenciada pelo pai ou por um irmão mais velho — mantive firme minha bandeira verde, mesmo convivendo com um pai e um irmão corintianos. Rivalidade em casa sempre existiu, mas é justamente ela que mostra a grandeza do nosso futebol. E hoje, curiosamente, é essa rivalidade que menos importa.
A final da Libertadores deste ano representa algo maior que a oposição entre Palmeiras e Flamengo: simboliza uma negociação perfeita no melhor estilo ganha-ganha. Independentemente do resultado dentro de campo, o grande vencedor é o Brasil. Nosso futebol, que nos últimos anos andou mal das pernas (com o trocadilho inevitável), chega ao fim da maior competição do continente ocupando os dois lados da disputa. Isso não é pouca coisa.
Mais que uma final: é resiliência pura.
Nossas equipes superaram o atual campeão mundial e enfrentaram adversários extremamente bem ranqueados no cenário sul-americano, provando que, apesar das turbulências, a força do futebol brasileiro segue pulsando. É a confirmação de que talento, estratégia e capacidade de reinvenção continuam sendo marcas registradas do nosso país quando o assunto é bola no pé.
Hoje assisto ao jogo com a alma lavada. Não com a camisa do meu Verdão e nem para provocar rival algum, mas com a camisa oficial da seleção brasileira. Não para protestar — como tantos já fizeram e talvez façam de novo — mas para celebrar. Celebrar uma conquista que transcende clubes, cores e arquibancadas.
Porque quando Palmeiras e Flamengo chegam juntos ao topo da América, quem realmente vence é o Brasil. E isso merece ser vivido, comemorado e, acima de tudo, reconhecido como um sinal de que nosso futebol ainda tem muito a entregar ao mundo.
Independentemente do placar, hoje todos nós ganhamos.