Palavras não bastam
Muito se fala sobre a importância das softskills (competências sócio emocionais) na empregabilidade e no sucesso pessoal e profissional. E que, daqui pra frente, ela será preponderante às hardskills, aquelas ligadas aos aspectos técnico-cognitivos sobre um determinado assunto.
Eu concordo com essa visão, mesmo porque o conhecimento atualmente se encontra com facilidade em qualquer buscador na internet. Quanto à qualidade, é preciso saber fazer a pergunta certa.
Ocorre que, a exemplo de outras expressões, na maioria das vezes esses termos não passam de meros modismos, principalmente se enunciados em outro idioma; e, o que é pior, lançados em situações e contextos totalmente divorciados do seu real significado.
O caso
Semana passada minha mulher teve que realizar uma ressonância magnética em meio a um tratamento oncológico a que se submete. No momento da realização do exame, a enfermeira perguntou se ela estava em jejum de 4 horas. Ela disse que não havia observado o jejum mesmo porque não recebera orientação nesse sentido. O exame acabou não sendo feito e fomos encaminhados ao atendimento para buscar uma solução já que os retornos das consultas médicas eram iminentes, não havendo condição de aceitar agendamento em data distante. A atendente, totalmente desprovida de empatia e compaixão, disse que não havia agenda disponível antes de dois meses. O prazo era totalmente incompatível com o tratamento em curso. Reclamações postadas no SAC e na Ouvidoria de nada adiantaram. Inconformado, na madrugada do mesmo dia, fiz contato com a central de atendimento ao cliente e diferentemente da experiência presencial, fui atendido por uma jovem que, entendendo a gravidade e urgência do caso, se pôs a campo para encontrar uma alternativa.
Diante da impossibilidade de usar pedidos médicos gerados pelo sistema da operadora para o agendamento externo em rede credenciada, ela humildemente aceitou minha sugestão de usar o seu WhatsApp pessoal para que eu enviasse o pedido médico e ela pudesse efetuar o agendamento, como se fora uma paciente qualquer e não funcionária da operadora de saúde. Foi mais de uma hora ao telefone mas resultou exitosa. Fizemos o exame no mesmo dia. Bingo!
Pensamento crítico e resiliência de mãos dadas
Sim, pensamento crítico e resiliência estão relacionados, embora sejam conceitos distintos.
O que é pensamento crítico?
É a capacidade de analisar informações de forma lógica, objetiva e reflexiva. Envolve questionar suposições, avaliar evidências e chegar a conclusões bem fundamentadas.
O que é resiliência?
É a habilidade de lidar com adversidades, adaptar-se a mudanças e recuperar-se após situações difíceis, mantendo o equilíbrio emocional.
Como se relacionam?
Análise de situações difíceis
Uma pessoa resiliente frequentemente usa o pensamento crítico para entender desafios de forma racional, em vez de reagir apenas emocionalmente. Isso ajuda a encontrar soluções, geralmente mais eficazes.
Tomada de decisão sob pressão
Em momentos de crise, o pensamento crítico permite avaliar opções com clareza, o que fortalece a resiliência na ação.
Aprendizado com a adversidade
Resiliência envolve aprender com os erros e seguir em frente. O pensamento crítico permite refletir sobre o que deu errado e por quê, promovendo crescimento pessoal.
Autonomia emocional e intelectual
Ambos favorecem o desenvolvimento de pessoas mais autônomas, capazes de pensar por si mesmas e se manter firmes diante de pressões externas.
Podemos resumir que pensamento crítico fortalece a resiliência, e a resiliência favorece a prática do pensamento crítico — especialmente quando precisamos manter a calma, refletir e agir com clareza diante de dificuldades. São habilidades complementares no desenvolvimento pessoal, acadêmico e profissional.