Será que precisa?

#020 25 Será que precisa

Muito Interessante um certo comportamento que observo em muitos empreendedores de primeira viagem.

É bem verdade que não deixa de ser um comportamento perfeitamente esperado e explicável, muito embora nada justificável, por alguém que pela primeira vez monta seu próprio negócio.

Frase típica que eu escuto: “enquanto eu não tiver tudo pronto, funcionando, testado e as pessoas contratadas e treinadas, eu não começo as atividades da minha empresa ”.

Nada mais falso e enganoso, principalmente numa época em que  o comportamento do consumidor muda a todo instante, às vezes radicalmente, em um período de tempo muito curto. Então, me diz, qual a saída?

Uma delas e, talvez a que melhor se aplica, esteja na frase: o  feito, se bem feito e de forma simples, é melhor do que o perfeito não feito. Dito em linguagem mais moderninha, o tal MVP (produto mínimo viável).

A tentação da estética

É claro que, com tantas opções de equipamentos e softwares disponíveis atualmente, bem como diante da miríade de arranjos resultantes das combinações entre eles, torna-se muito tentador buscar uma solução que reflita o estado da arte e mais fashion. Mas, será que precisa, se nem o básico é feito?

O caso da loja de produtos naturais

Para ilustrar o que eu quero dizer, vou me valer de uma experiência que tive, há uns 2 anos, quando eu visitava uma pequena loja de varejo de bairro, recém inaugurada e que atuava no comércio de produtos naturais. Enquanto eu conversava na porta da loja com um dos sócios para saber mais sobre os seus planos e seus desafios, fomos interrompidos por uma senhora que passava e parou para perguntar se tinha um determinado produto, fibra de maçã. Como a loja acabara de inaugurar, óbvio que algum item poderia ter escapado da primeira compra, mesmo porque não se trata de um item A. Qual, a meu ver, deveria ter sido a atitude do proprietário?

“Senhora, eu vou anotar seu nome e telefone e assim que eu receber a fibra de maçã, entro em contato com a senhora”.

Mas, não: ele simplesmente disse que não tinha. É bem provável que aquele potencial cliente nunca mais retorne à loja.

Não era preciso convidá-la para preencher um extenso cadastro de cliente ou alimentar a base de dados de um CRM; um simples caderno ou bloco de papel resolveria o problema e criaria um primeiro vínculo.

Na sequência, aproveitei a estada ali para comprar alguns produtos que me faltavam e dirigi-me ao caixa para pagar. Novamente, ninguém perguntou meu nome, se eu tinha encontrado tudo o que precisava. Perderam uma excelente oportunidade de fazer um cadastro básico (nome, celular, email e data de aniversário) para entrar em contato sobre lançamento de novos produtos, promoções, informações e benefícios sobre o uso dos produtos, prática bastante comum nesse tipo de negócio.

Retornei mais três vezes à loja durante um período de 60 dias e constatei que nada havia  mudado. Notei, também, que os preços praticados eram na faixa de 40% a 50% acima da concorrência (há mais 5 lojas concorrentes no raio de 2km).

Indaguei se eles faziam uma pesquisa da concorrência e ele respondeu que o diferencial deles era a qualidade.

Fiquei pensando, de que qualidade ele estava falando: no atendimento? variedade de produtos? meios de pagamento? canais de entrega?

Será que a aludida qualidade (que ele não revelou nas duas situações narradas) justifica 50% de sobrepreço em relação aos concorrentes?

Simples e rápido ou completo, mesmo que demore?

Há inúmeras razões para começar de forma simples e enxuta assim como muitas desvantagens em começar algo mais tarde quando tudo estiver pronto. O primeiro  motivo é que nunca se está totalmente pronto. A melhoria contínua está aí para confirmar esse fato. Mas isso será objeto de um próximo artigo.

Enquanto isso, te convido a dizer o que você acha melhor: o simples e rápido ou o completo, mesmo que demore mais?

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